Apesar de falhanços e críticas, balanço é "francamente positivo" - Ramos-Horta

 

O Presidente cessante de Timor-Leste, José Ramos-Horta, considerou em entrevista à Lusa que, apesar dos "falhanços e críticas", o balanço da primeira década desde a restauração da independência é "francamente positivo".

 

"Não há uma única instituição, uma única personalidade, que possa dizer fui eu que consegui. Um pouco por todos nós aprendemos com os erros de 2006 e refreámos as nossas impaciências e zangas, refletimos sobre as prioridades do país e o que é preciso fazer", afirmou José Ramos-Horta.

 

"Todos contribuímos para que celebremos o 10.º aniversário com alegria e otimismo", defendeu o Presidente cessante em vésperas das cerimónias, no domingo, que vão assinalar a primeira década desde a declaração da restauração da independência, proclamada a 20 de maior de 2002.

 

Também no domingo, Ramos-Horta deixa também o cargo de Presidente timorense, que será assumido pelo general Taur Matan Ruak, ex-chefe das Forças Armadas do país.

 

O Presidente cessante lembrou os momentos de instabilidade que o país viveu nos primeiros anos da restauração da independência, mas, salientou, que apesar das críticas e dos falhanços o balanço é "francamente positivo".

 

Dos momentos de instabilidade vividos pelo país desde a restauração da independência, o Presidente cessante recordou as manifestações de 2002 que culminaram com ataques à propriedade privada do antigo primeiro-ministro Mari Alkatiri.

 

"Depois a partir dai houve sempre tensões", disse, lembrando a tensão com a igreja católica em 2005 por causa da disciplina de religião e moral e a grave crise política e militar de 2006, quando mais de 500 militares abandonaram os quartéis alegando discriminações no seio das forças armadas.

"O país estava à beira da guerra civil e isso foi responsabilidade timorense. Não da Indonésia, da Austrália, ou de interesses externos", sublinhou o ainda Presidente timorense.

 

Dois anos mais tarde, Ramos-Horta foi vítima de um atentado na sua residência, que o deixou à beira da morte, no mesmo dia em que o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, foi atacado nos arredores da cidade.

 

Apesar dos graves acontecimentos da última década, "o país hoje é tranquilo, há crescimento económico nos últimos cinco anos, embora se possa dizer, crescimento económico graças ao petróleo", afirmou o chefe de Estado.

 

Segundo José Ramos-Horta, com as receitas do petróleo as autoridades timorenses têm tentado transformar a vida dos timorenses, embora ainda haja necessidade de se corrigirem desequilíbrios, nomeadamente ao nível salarial dos funcionários públicos.

 

Num balanço sobre a sua Presidência, José Ramos-Horta destacou ter contribuído para ver no "rosto das pessoas mais ânimo, mais otimismo e mais sorrisos".

 

"Não era o caso em 2004, 2005 e 2006. A tensão era palpável e eu observava. Hoje há muito mais relaxamento, menos tensões, mesmo tensões políticas, há um ambiente muito mais saudável dentro das forças armadas, na polícia", salientou Ramos-Horta, que vai passar a Presidência ao general Taur Matan Ruak com a consciência tranquila.

 

"Faço-o com consciência serena, tranquila de tudo ter feito e contribuído para o clima em que hoje vivemos e para a credibilidade internacional que recuperámos", disse.