Segunda-feira, 21.05.12

Fretilin manifesta a Cavaco Silva preocupação com corrupção e má governação

O secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri, disse hoje que aproveitou o encontro com o Presidente da República, Cavaco Silva, para manifestar preocupações sobre a corrupção e má-governação do país.

 

"Foi um encontro de amigos mas aproveitei a oportunidade para dar os meus pontos de vista sobre a situação do país", afirmou à agência Lusa o líder do principal partido de oposição timorense.

 

Mari Alkatiri disse que deixou "bem registadas" as preocupações que tem relativas à corrupção, à má governação e às eleições legislativas, que se realizam a 07 de julho.

 

"Eu deixei claro que não acredito que vá haver violência durante o processo eleitoral", salientou também o secretário-geral da Fretilin.

 

O Presidente da República portuguesa, que se encontra em visita de Estado a Timor-Leste, recebeu hoje em audiência no Palácio Lahane, em Díli, o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, e o secretário-geral da Fretilin, líder do maior partido e da oposição timorense.

 

Xanana Gusmão não fez declarações, afirmando apenas tratar-se de um encontro de cortesia durante o qual foi lembrado tudo o que o Estado português fez pelo país.

Quinta-feira, 17.05.12

Timorenses resistiram às tentativas de tornar país num Estado falhado -- Alkatiri

 

O secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri, disse em entrevista à agência Lusa que, nos últimos 10 anos, os timorenses conseguiram resistir a todas as tentativas de tornar o país num Estado falhado.

 

"O balanço é positivo na medida em que conseguimos resistir a todas as tentativas de fazer de Timor-Leste um Estado falhado e conseguimos, realmente, consolidar a paz e a estabilidade", afirmou o também antigo primeiro-ministro timorense, sem pormenorizar.

 

Timor-Leste comemora no próximo domingo 10 anos de restauração da independência, que ficaram marcados por momentos de instabilidade e uma grave crise política e militar iniciada em 2006, que levou Mari Alkatiri a apresentar a demissão da chefia do Governo e à entrada no país de uma força internacional liderada pela Austrália.

 

Em fevereiro de 2008, um ano depois das eleições legislativas e presidenciais, o Presidente da República, José Ramos-Horta, foi baleado num atentado no mesmo dia em que foi executado um ataque contra o primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

 

Desde então, o país tem experimentado um período inédito de paz e estabilidade.

 

"Não é mérito de uma ou duas pessoas, de uma ou duas organizações, não é mérito só do Governo, mas fundamentalmente de todo o povo que conseguiu acreditar na sua própria liderança", salientou o secretário-geral da Fretilin, que foi o partido mais votado nas eleições de 2007 mas que não conseguiu formar maioria parlamentar, face à aliança promovida pelo atual primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

 

Para Alkatiri, apesar do balanço positivo, dez anos depois da restauração da independência o país "podia estar muito melhor do que está" em termos de desenvolvimento económico e social.

 

Segundo o dirigente timorense, nos últimos cinco anos deveria ter havido uma política e um plano claros para o desenvolvimento do país, que deveria ter começado no capital humano e no reforço das instituições.

 

"O que temos assistido nestes últimos cinco anos é precisamente ao contrário. Quis-se fazer o desenvolvimento físico, não se conseguiu fazer, esbanjou-se muito dinheiro, resultados não existem", destacou o líder da Fretilin, que se prepara para as legislativas de 07 de julho.

 

A questão atual que preocupa Mari Alkatiri é a defesa dos princípios e dos valores da luta, nomeadamente da libertação do povo.

 

"Naturalmente libertar o povo é libertar as mentalidades. O que se tem feito nestes últimos anos é corromper as mentalidades com um sistema de governação antissistema e uma desagregação completa dos valores sociais, políticos e também dos valores institucionais, da cultura institucional", lamentou.

 

Sublinhando que não é só uma declaração que significa a independência, Mari Alkatiri afirmou que a "verdadeira independência é um processo longo", que necessita de coerência na sua execução e que tem como centro o ser humano.

 

"É um processo longo e, para mim, estamos a começar um novo processo de libertação nacional, que vai ser longo também, vamos remar um pouco contra a maré, como costumo dizer, uma travessia do deserto onde há cada vez menos oásis e mais miragens", disse.

 

Para o futuro, Mari Alkatiri defendeu que os timorenses vão ter de perceber a forma de saírem daquela "situação de secura de princípios e de valores" e não se deixarem enganar pelas "miragens".



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