Lu Olo diz que é altura de o país se voltar a afirmar

 

 

O ex-líder do parlamento timorense, Francisco Guterres Lu Olo, que proclamou há dez anos a restauração da independência de Timor-Leste, defende que é preciso o Estado voltar a afirmar-se através do desenvolvimento.

 

"A democracia não exige apenas ao povo que escolha os seus dirigentes. O Estado tem de voltar a afirmar-se para que o povo saiba encontrar respostas corretas e acertadas para os seus próprios interesses", afirmou à Lusa o presidente da frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) e candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais.

 

Francisco Guterres Lu Olo proclamou a restauração da independência de Timor-Leste, a 20 de maio de 2002, num duro discurso, perante a Presidente da Indonésia, que, disse, teve como principal objetivo afirmar o Estado timorense e a independência do seu povo.

 

Dez anos depois, Lu Olo, que durante 24 anos integrou a guerrilha contra a ocupação indonésia, é preciso fazer uma introspeção, desenvolver a democracia e encontrar respostas para todas as situações no país.

 

"As autoridades timorenses têm de trabalhar muito. Têm de ter um plano de desenvolvimento. A educação, a saúde, as infraestruturas são coisas muito importantes de que o povo precisa para viver em condições dignas", sublinhou.

 

Quando proclamou a restauração da independência de Timor-Leste, Lu Olo recordou os 24 anos de ocupação, a violação dos direitos humanos e os antecedentes dos acordos de 05 de maio de 1999, entre as diplomacias de Lisboa e Jacarta, que permitiram a realização da consulta popular de 30 de agosto do mesmo ano e a saída da Indonésia.

 

"O meu discurso foi duro, porque tinha de dizer aquilo para o Estado se afirmar. Para o povo de Timor-Leste se afirmar como povo independente", recordou à Lusa.

 

Para Francisco Guterres Lu Olo, a "luta do povo timorense contra a Indonésia não foi uma situação que se buscou nos oráculos do sonho".

"Foi uma realidade vivida, em que eu próprio participei. Tive de dizer isso mesmo, mas não foi para ofender ninguém", afirmou, salientando que hoje os dois países têm boas relações.

 

Dez anos depois da restauração da independência, Francisco Guterres Lu Olo disse também estar "honrado" por ter sido uma peça para a edificação do Estado timorense.

 

"Julgo que contribui para erguer este Estado e dez anos depois sinto orgulho por ter sido uma peça importante", concluiu.