Ex-líder nacionalista diz que pessoas estão livres mas sem um dólar na mão

 

O antigo dirigente da resistência timorense Leandro Isaac disse em entrevista à agência Lusa que, dez anos depois da restauração da independência de Timor-Leste, as pessoas estão livres, mas o povo não tem um dólar na mão.

 

"Hoje no interior do país o povo não tem um dólar na mão. Onde estão os biliões de dólares, os milhões que os líderes dizem, qual é essa riqueza que o povo não tem na mão?", questionou o antigo deputado do Partido Social Democrata timorense.

 

Leandro Isaac foi um dos políticos timorenses do Conselho Nacional da Resistência Timorense no terreno a organizar a consulta popular de 1999, que determinou o fim da ocupação da Indonésia no país.

 

Nos últimos anos esteve ligado ao major Alfredo Reinado, que desafiou as autoridades políticas e militares do país e morreu durante um atentado contra o Presidente da República, Ramos-Horta, em fevereiro de 2008.

 

"Falamos ao povo de igualdade e de justiça, que o povo não sente", salientou Leandro Isaac no balanço da última década.

 

Para o timorense, que se afastou da política e foi viver para as montanhas, há "muita coisa que já devia estar feita".

 

"Uma delas é a educação cívica. Não basta o 30 de agosto de 1999", dia da consulta popular, defendeu.

 

O antigo deputado mostrou-se preocupado com a falta de patriotismo, salientando que o sacrifício para se alcançar a independência.

 

"A independência não veio de bandeja. Nós conquistámo-la com muitas lágrimas, dos pais, das mães, principalmente, que perderam os filhos, os maridos, que perderam tudo na conquista da independência", disse.

 

Depois, acrescentou, o "sonho da independência, um mar de rosas" não se concretizou e "hoje muitos estão desiludidos com isso".

Mesmo assim, segundo Leandro Isaac, a independência foi conquistada e hoje os timorenses estão livres e a lutar "todos os dias para o bem-estar" do povo.

 

"Foi assim a promessa da independência, foi para trazer o melhor que os outros nos deram", afirmou o antigo deputado.

A consulta popular foi organizada pelas Nações Unidas, que administrou o país até 20 de maio de 2002, quando foi restaurada a independência de Timor-Leste.