Capital descola do resto do país

 

A capital de Timor-Leste, Díli, está, dez anos depois da restauração da independência, mais arranjada, mais polida e cosmopolita, mas isolada do resto do país que continua praticamente na mesma.

 

A cidade tem muitas "roupas novas", como os edifícios de Estado, imponentes, construídos pelos chineses, os restaurantes que foram nascendo junto à linha da água em Meti Aut e se arrastaram até à praia da Areia Branca, ou as lojas de Colmera, onde se pode comprar de tudo.

A mais recente sofisticação de Díli chama-se Timor Plaza, um centro comercial com dois pisos de lojas, mais um de escritórios, onde toda a gente pode experimentar andar de elevador.

 

"Notam-se muitas diferenças na atitude das pessoas, o poder de compra aumentou, existem muito mais carros, não havia tantos no início. Lojas, muitas lojas, há mais oferta de produtos", afirmou à agência Lusa a portuguesa Cármen Berimbau, a viver há 10 anos em Díli.

 

Outra coisa que a portuguesa, que trabalha no setor da restauração, nota é o aumento do fornecimento de luz elétrica e do poder de compra dos timorenses.

 

"Gostam de ter acesso a outros produtos, principalmente eletrónica, telemóveis, computadores e já há essa oferta", afirmou.

 

Já fora da cidade, Cármen Berimbau, não nota "nenhuma diferença".

 

"Acho que permanece tudo igual", salientou.

 

A opinião é partilhada por Eduardo Santos, um empresário hoteleiro português que chegou a Díli em 1999, quando a cidade ainda era uma malha de casas queimadas pela vaga de destruição do exército indonésio e milícias timorenses, após a consulta popular daquele ano que conduziu Timor-Leste à independência.

 

"Que Timor não seja só Díli. Se compararmos Díli com a montanha a diferença é abismal", afirmou Eduardo Santos.

Para o empresário português, é triste que pessoas que muitas vezes estão no país por longos períodos não viagem mais em Timor-Leste por falta de infraestruturas.

 

"A beleza de Timor está exatamente fora de Díli. Há sítios maravilhosos para visitar, mas por deficiência de estradas, vias de comunicação, alojamento, as pessoas acabam por optar por fazer as suas férias e fins de semana fora do país", referiu.

 

Para o empresário, dez anos depois da independência, seria injusto não destacar o desenvolvimento no setor da saúde, nomeadamente no Hospital de Díli.

 

"Para quem já teve necessidade de lá estar, como eu, por duas vezes, é realmente de louvar o esforço que tem sido feito", afirmou, salientando que hoje a unidade já se pode chamar um hospital.

 

Díli está concentrada nas comemorações do 10.º aniversário da restauração da independência, no domingo, e nos últimos meses sofreu várias operações plásticas para poder receber com uma maquilhagem perfeita os convidados para a festa.

 

As principais estradas da cidade foram, finalmente, alcatroadas, os parques e as crianças ganharam novos baloiços e os monumentos estão limpos.

 

Por estes dias quem chegar à capital, vê muitas bandeiras hasteadas e colocadas um pouco por todo o lado, respondendo a um apelo patriótico do primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

 

As bandeiras são o toque final da 'toilette'.