Ideais da luta estão a cair no esquecimento, diz ex-dirigente da resistência

 

Os ideais da luta de Timor-Leste estão a cair no esquecimento, alertou o deputado David Ximenes, antigo quadro do Conselho Nacional da Resistência timorense que se destacou na votação que conduziu o país à independência.

 

"Não quero dizer que estou dececionado", mas também devo manifestar que lamento que o ideal, que nos levou a uma luta sangrenta de longo período, na mentalidade do povo timorense pareça estar esquecido", afirmou à Lusa o deputado da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin).

 

Segundo Ximenes, "há um desmoronar" de tudo o que se falou de "liberdade, dos direitos humanos, de bom senso, de honestidade política", disse em vésperas das comemorações do 10.º aniversário da restauração da independência do país, que se celebram no domingo.

 

"Se foi necessário tanto sacrifício, os que hoje vivem este clima de independência terão e devem ter alguma responsabilidade para começar a honrar aqueles que pereceram", defendeu o deputado do principal partido de oposição. "Se eles estivessem vivos aprovariam estas nossas atitudes?", questionou.

 

Para Ximenes, é preciso que os timorenses continuem a manter vivos e nas "tarefas do dia-a-dia" os ideais da "democracia, da honestidade política e da não exploração do homem pelo homem e que os timorenses aproveitem as celebrações de domingo para pensarem no futuro.

 

"Os grandes líderes que talvez outrora protagonizaram, enveredaram, nortearam esta luta tenham por amabilidade a coragem de olhar para trás, ver para os seus lados e projetar (o país) para o futuro", pediu o deputado timorense.

 

A consulta popular que determinou o fim da ocupação indonésia de Timor-Leste foi realizada a 30 de agosto de 1999, na sequência da assinatura dos acordos entre Portugal e Indonésia de 05 de maio do mesmo ano.

 

A consultar popular foi organizada pelas Nações Unidas, que administrou o país até 20 de maio de 2002, quando foi restaurada a independência de Timor-Leste.