Ban Ki-moon considera “impressionantes” os progressos na última década

 

 

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou à Lusa que, dez anos depois da restauração da independência, os timorenses "alcançaram feitos de que devem ter orgulho", e que continuarão a beneficiar do apoio das Nações Unidas "por muitos anos".

"Timor-Leste tem feito avanços impressionantes na última década. As instituições nacionais, praticamente inexistentes há dez anos, desempenham agora um papel crucial na salvaguarda da estabilidade e democracia", disse o secretário-geral da ONU.

A forma pacífica como decorreram as recentes eleições presidenciais, adiantou, foi um "testemunho dos progressos" do país e veio demonstrar a capacidade da Polícia Nacional e das forças armadas timorenses.

"O povo de Timor-Leste deve estar orgulhoso destes e de outros feitos. Mostraram determinação em ultrapassar grandes desafios. Os líderes da nação têm mostrado sabedoria e responsabilidade em guiar o país durante períodos de provação".

Nas declarações à Lusa, Ban Ki-moon sublinhou que a ONU tem estado "ao lado do povo timorense" desde a independência, "apoiando os esforços para construir um Estado forte e sólido e promover a paz e prosperidade", e que assim vai continuar.

"Ainda que a missão integrada da ONU continue a preparar-se para a sua antecipada partida no final do ano, as Nações Unidas continuarão firmes no seu apoio por muitos anos no futuro", disse Ban Ki-moon.

A última resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre o dossiê timorense, em fevereiro, prolongou o mandato da missão em Timor-Leste (UNMIT), até final de 2012, passando daí em diante as Nações Unidas a manter apenas uma presença humanitária.

O Presidente timorense, José Ramos-Horta, foi na altura congratulado pelos progressos no país, considerado um "caso de sucesso" na história das missões de paz da ONU pelo embaixador de Portugal na ONU, Moraes Cabral.

Numa longa e emocionada intervenção, Ramos-Horta evocou as antigas memórias "nos corredores da ONU", desde 1975, quando Timor-Leste, ocupado pela Indonésia, lutava pela independência e também "experiências traumáticas" como os conflitos de 2006, que "podiam ter sido evitados".

O Presidente timorense, Nobel da Paz em 1996, sublinhou a melhoria dos indicadores económicos e sociais do país e a consolidação da democracia nos últimos anos e convidou todos os membros do Conselho a visitarem o país este ano e "verem com os próprios olhos quão longe foi o país" e também conhecer "as montanhas e nadar nas águas límpidas" timorenses.

A vinda a Nova Iorque esteve então para ser cancelada devido à morte de um familiar, mas Ramos-Horta fez questão de vir "partilhar as boas notícias que acontecem pelo menos num canto do mundo", enquanto os diplomatas na ONU estão envolvidos em questões difíceis como as do Médio Oriente.