Português Filipe Silva encontrou uma carreira, um amor e uma família

 

O português Filipe Silva ainda se lembra do cheiro a queimado quando chegou em 2000 para dar aulas de português em Timor-Leste, onde 12 anos depois construiu uma carreira, casou-se e teve duas filhas.

 

Filipe Silva, atual assessor do Ministério da Educação timorense, veio no contingente de professores portugueses que aterrou em setembro de 2000 em Timor-Leste para ensinar português.

 

A mulher, também professora, conheceu ainda em Lisboa no dia em que foram tomar vacinas.

 

Não a perdeu de vista, casaram-se em Timor e hoje têm duas filhas, uma nascida em Portugal e outra na Austrália.

 

"Foi algo que mudou a minha vida mesmo a nível profissional. Foi uma experiência interessante vir dar aulas para Timor num contexto em que não havia nada - escrever no chão ou nas paredes e não ter quadros", recordou em entrevista à agência Lusa.

 

A experiência gratificante levou-o a aceitar coordenar o projeto de língua portuguesa em Timor-Leste e depois a passar para o Ministério da Educação timorense.

 

Em relação aos últimos 12 anos e quando Timor-Leste se preparar para celebrar o 10.º aniversário da restauração da independência, Filipe Silva disse que as "diferenças são muito grandes".

 

"Quando aterrei além de estar tudo castanho, porque era setembro, ainda se notava um grande cheiro a queimado e imensas casas destruídas", disse, recordando o período imediatamente a seguir à destruição generalizada realizada pelo exército indonésio e milícias timorenses, resultante da consulta popular de 30 de agosto de 1999, que conduziu Timor-Leste à independência.

 

Havia pouco comércio e dois ou três restaurantes, lembra ainda o português.

 

"Hoje em dia nada disso se passa, continua a haver de vez em quando ruturas de stock nos iogurtes e em outros produtos, mas não é aquilo que era em 2000", afirmou.

 

Para Filipe Silva, além do comércio, houve um desenvolvimento no país, apesar de no interior ainda se notar uma grande pobreza.

A única coisa que está pior do que naquela altura são estradas, assinalou.

 

Em Timor-Leste, o português encontrou a qualidade de vida que sempre considerou ser essencial para uma família: "A possibilidade de ir almoçar e jantar a casa e pôr e buscar as minhas filhas à escola", disse.

 

Sobre as filhas, uma com sete e outra com cinco, Filipe Silva admite que são timorenses.

 

"O país delas é Timor e Portugal para elas é como ir de férias a qualquer lado", explicou.