Futuro de Ramos-Horta passa por próximo Governo ou missão no exterior

 

O Presidente cessante de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse à Lusa que o seu futuro político pode passar pelo próximo Governo timorense que resultar das próximas legislativas ou por uma missão no exterior.

 

"Em agosto, depois das eleições, verei, primeiro, se sou convidado para integrar qualquer Governo ou estrutura de Estado, segundo, se devo aceitar ou não ou afastar-me durante algum tempo sem interferir nos assuntos que pertencem ao novo governo e Presidente", afirmou em entrevista à Lusa.

 

José Ramos-Horta termina no domingo, dia em que se celebra também o 10.º aniversário da restauração da independência de Timor-Leste, o seu mandato como Presidente da República, passando o testemunho para o general Taur Matan Ruak, vencedor das eleições presidenciais.

 

"Vou ver se vou continuar no plano doméstico ou para alguma missão no exterior por algum tempo. Vou refletir e considerar tudo isso nas próximas semanas", afirmou, sublinhando que a sua primeira obrigação e lealdade são para com o povo timorense.

 

No final de maio, José Ramos-Horta espera poder reunir-se com os principais intervenientes políticos do país para conversar sobre as eleições legislativas, marcadas para 07 de julho.

 

"Vão ser um pouco mais difíceis de gerir do que as presidenciais", disse, salientando que é preciso um compromisso de adultos e de líderes de Estado para que decorram bem.

 

Para o Presidente cessante, que também já foi primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, o país precisa de um "governo forte, mesmo que seja em coligação".

 

"Um governo estável e que possa liderar o arranque económico para os próximos cinco anos, que serão decisivos", salientou.

"Eu tenho confiança serena no general Taur Matan Ruak. Ele foi-me muito leal, impecável e eu devo-lhe reciprocidade. Quero ajudá-lo para ele fazer uma boa Presidência. Boa Presidência significa consolidar a paz, unidade no país", disse.