"Eu não acreditava, mas o meu pai acreditava"

 

 

O futuro chefe de Estado de Timor-Leste, Taur Matan Ruak, que disse nunca esperar ser Presidente do país, disse em entrevista à Lusa que os eleitores acreditaram no seu programa e que vai dar o seu melhor.

 

Taur Matan Ruak toma posse no domingo, dia em que se comemora também o 10.º aniversário da restauração da independência do país.

"Parece ser mentira, mas eu sou o Presidente de Timor e espero dar o meu melhor nos próximos cinco anos para responder às expetativas do nosso povo. Eles votaram em mim, mas, sobretudo, no meu programa", afirmou Taur Matan Ruak.

 

Taur Matan Ruak apresentou em setembro passado a demissão da chefia das Forças Armadas do país para se candidatar às eleições presidenciais, que decorreram a 17 de março e 16 de abril, que venceu à segunda volta com mais de 60 por cento dos votos.

 

Confessando à Lusa que nunca acreditou que pudesse tornar-se no terceiro Presidente timorense, após a restauração da independência, Taur Matan Ruak lembrou o que o pai, já falecido, tinha predito.

 

"Eu não acreditava, mas o meu pai acreditava e dizia aos meus familiares três coisas: o meu filho não vai morrer na guerra e vai viver até ao fim, ele vai ser o chefe de Estado-Maior, e ele vai ser o Presidente", afirmou Taur Matan Ruak, salientando que o progenitor era um visionário.

 

Será já como Presidente de Timor-Leste que Taur Matan Ruak vai acompanhar as eleições legislativas, marcadas para 07 de julho, e ao final previsto da Missão Integrada das Nações Unidas (UNMIT) no país.

 

Aos mais de 20 partidos políticos que vão concorrer às legislativas, o Presidente eleito pediu para trabalharem para a paz, sublinhando que as presidenciais decorreram de forma pacífica e cívica.

 

"Eles (os partidos políticos) têm noção clara do que Timor-Leste quer e o nosso desejo é consolidar a paz, a nossa democracia e desenvolver o nosso país", afirmou.

 

Sobre a saída prevista da UNMIT em dezembro deste ano, Taur Matan Ruak considerou ser uma "oportunidade" para os timorenses mostrarem o que são e o que valem.

 

"Timor não pode continuar a estar dependente da comunidade internacional. A comunidade internacional tem sido muito generosa, mas acho que é a altura de eles partirem e de nós começarmos a andar mesmo, caindo ao longo da viagem", afirmou.

 

A viagem, para o Presidente eleito, vai exigir muito mais trabalho aos timorenses, porque têm de continuar a consolidar a paz para avançarem para a outra fase que é a de se desenvolver o país.

 

A saída da UNMIT está baseada em quatro premissas relacionadas com os acontecimentos previstos para este ano, nomeadamente a continuação da estabilidade, um período eleitoral sem incidentes, a tomada de posse de um novo governo com base nos resultados eleitorais e que a oposição política tenha espaço para atuar de acordo com os princípios democráticos internacionais.