PR timorense sugere que português seja ensinado como língua estrangeira

 

O Presidente timorense, Taur Matan Ruak, sugeriu hoje em Díli que o português seja ensinado como língua estrangeira, mas garantiu se manterá como língua oficial, constitucionalmente consagrada.

 

"Permitam-me que faça um reparo crítico mas com genuíno espírito construtivo. O ensino do português em Timor-Leste tem de ser faseado. Nesta fase e, para que dentro de uma década o panorama linguístico esteja alterado, o ensino de português deve assumir características de língua estrangeira", disse Taur Matan Ruak para quem o português não pode nem deve ser administrado como língua mãe.

 

Taur Matan Ruak falava na receção oferecida pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, que se encontra em visita de Estado ao país, à comunidade portuguesa em Timor-Leste na Escola Portuguesa Ruy Cinatti, onde estudam os filhos do novo chefe de Estado. "Acredito que esta alteração no método de ensino poderá beneficiar os resultados e mostrar maior eficácia", afirmou, salientando que em Timor-Leste também é preciso fazer mais esforços para que não haja contradições sobre uma opção claramente assumida.

 

A sugestão do Presidente timorense surge numa altura que o Ministério da Educação se prepara para iniciar um projeto-piloto, patrocinado pela UNESCO, que prevê que no início do pré-escolar e durante um período de dois anos sejam utilizadas as línguas maternas (ou locais) como instrumento de transferência de conhecimento, dando depois início ao ensino da língua portuguesa e do tétum.

 

"O facto de termos feito essa opção para os nosso filhos revela claramente qual a posição que assumo em relação à língua portuguesa, como língua oficial, constitucionalmente consagrada em Timor-Leste", afirmou Taur Matan Rual, que tomou posse como novo chefe de Estado timorense no passado fim de semana.

 

Salientando que é constantemente questionado pela comunicação social sobre a sua posição relativamente ao português, o Presidente timorense foi perentório: "Para que não restem dúvidas. Nós fizemos uma opção política, estratégica e identitária. O português está para ficar."

 

Taur Matan Ruak explicou que Timor-Leste optou pelo português para consolidar a "identidade nacional, que entre outros, tem por pilares o catolicismo e a língua portuguesa".

 

Timor-Leste realiza eleições legislativas no dia 07 de julho.